"F1 precisa urgente de nova regra", diz França sobre corrida terminando com safety car O favoritismo era da Mercedes, mas a vitória de Charles Leclerc em Silverstone mostra a velha máxima do automobilismo que, para chegar em primeiro, primeiro você tem que chegar —e a equipe alemã, que vem dominando com relativa tranquilidade a temporada, tem pecado justamente no quesito confiabilidade. O monegasco não ganhava desde 2024 e sua vitória traz um novo ânimo ao Mundial, colocando mais um piloto da Ferrari na briga pela ponta —algo que Lewis Hamilton já vinha mostrando capacidade nos últimos GPs. GP da Grã-Bretanha terminou com safety car à frente de Leclerc, vencedor da prova BEN STANSALL / AFP Uma pena que a conquista tenha vindo com uma bandeirada sob Safety Car. A direção de prova cumpriu a regra de mandar os retardatários, que estão com uma ou mais voltas de desvantagem, ultrapassar o líder. Só que da maneira como foi executada, esta ordem criou uma chegada sem emoção, ironicamente na prova com o maior público da história dos 76 anos da F1. Desde o episódio de Abu Dhabi 2021, quando a direção de prova também acabou interferindo na disputa direta pelo título, prejudicando o líder Lewis Hamilton contra Max Vertappen, fica evidente de que uma regra mais clara sobre o procedimento de Safety Car nas voltas finais precisa ser criada na F1. O polêmico safety car após o acidente de Nicholas Latifi decidiu o GP de Abu Dhabi Lars Baron/Getty Images Uma bandeira vermelha, por exemplo, permitiria que o carro de Verstappen fosse resgatado em Silverstone e daria a oportunidade para todos os pilotos colocarem novos pneus (sem favorecer um ou outro piloto ou mesmo sem dar a brecha de interpretação do regulamento, com chefes de equipe mantendo seus pilotos na pista apostando que não vai haver relargada com bandeira verde). Não é uma situação simples, claro, mas a maneira como é escrito o regulamento hoje permite que este tipo de decisão coloque o diretor de prova em uma situação que pode, sim, interferir no resultado final. A NASCAR, por exemplo, criou a regra de sempre terminar a corrida com pelo menos uma volta de bandeira verde – com prorrogações de voltas extras, se necessário. Que o episódio, acontecendo justamente no berço da F1, palco da primeira corrida, em 1950, ajude a reforçar esta mudança urgente na principal categoria do automobilismo mundial. Charles Leclerc vibra com a vitória no GP da Grã-Bretanha de F1 2026 Suzanne Plunkett/Reuters Voltando à corrida, a vitória de Leclerc foi uma surpresa, sim, mas ao mesmo tempo as questões de confiabilidade da Mercedes têm sido relativamente comuns nos últimos GPs. Neste domingo, os dois carros tiveram provas turbulentas, em especial Kimi Antonelli, que tinha tudo para vencer na Inglaterra após sair da pole, mas teve problemas no carro no finalzinho da prova, quando perseguia Leclerc com pneus mais novos —tinha ritmo suficiente para ultrapassar a Ferrari. Foi bacana ver a garra do italiano em tentar levar o carro até o final para conquistar pelo menos alguns pontos, mas o esforço não foi premiado e ele viu sua vantagem no Mundial cair para 25 pontos. Russell agora é o novo vice-líder, após “salvar” um segundo lugar também em uma corrida que teve problemas de pressão nos pneus, que o obrigou a fazer uma parada extra. As Ferraris também se aproximaram e foi ótimo ver que Leclerc também pode se tornar um candidato a brigar pelas vitórias daqui para frente, encontrando um ritmo de prova que a gente só tinha visto até aqui com Lewis Hamilton. Gabriel Bortoleto pontuou, chegando em oitavo no GP da Grã-Bretanha da F1 2026 Andy Hone/LAT Images O domingo também foi ótimo para Gabriel Bortoleto, que fez uma boa corrida para terminar na oitava colocação, marcando mais quatro pontos para Audi. Como falamos anteriormente, era uma questão de tempo para o brasileiro voltar ao top-10, tendo batido na trave nas últimas três corridas, com 11º lugar na Áustria, Espanha e Mônaco. Hoje, ele estava na melhor posição possível para se aproveitar dos problemas enfrentados pelos carros de ponta, no caso Antonelli, Max Verstappen e Oscar Piastri. Em ritmo de prova, chegou até a andar perto das Racing Bulls, hoje a quinta força da F1. Isso mostra que a evolução da Audi neste primeiro ano de F1 tem sido impressionante, com a capacidade de melhorar a competitividade do carro a cada GP, algo típico de um time grande, que tem boa gestão e capacidade de investimento. Isso mostra que, para este segundo semestre, Bortoleto nos pontos pode se tornar uma cena cada vez mais comum, o que seria um ótimo indício para iniciar a temporada 2027 num patamar ainda melhor, já mais próxima das quatro grandes.
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